Cinco perguntas para Maria Guimarães Sampaio

1) Há algum significado nesta coleção e neste seu livro? Algum objetivo?

Maria Guimarães Sampaio – Quando vi a primeira divulgação de Cartas Bahianas, já gostei antes de ler o que seria. Aí gostei mais, e tenho gostado do já publicado e fiquei feliz ao ser convidada. Além do jeitinho físico das Cartas Bahianas ser bem a cara de meus “Continhos para cão dormir”. Meu objetivo ao publicar, sempre, é ter leitores. Adoraria ter muitos leitores porque escrevo para ser lida, nunca para engavetar. Antes de ter editora imprimia em casa e dava/emprestava aos amigos. Talvez daí mantenha o hábito de ter muitos “primeiros leitores” antes do livro ser registrado e mandado para a editora.

2)Sendo cartas, é difícil encontrar correspondência do que se quer dizer em palavras? Correspondência não só na linguagem, mas também leitor? Vamos lembrar que correspondência está na raiz de cartas. Cartas Bahianas.

Maria Guimarães Sampaio – Pois… No primeiro momento referido lá em cima, eu pensei que seria publicação de CARTAS de mesmo. De repente você me dá a ideia de sentar e inventar dois personagens e uma correspondência.

3)Escrever é conseqüência de sua vida – pensamento, sentimento, sensações, olhares, atos, etc, ou o que é esta realidade para sua escrita? Ou que realidade é esta que vocês estão escrevendo? E nesta escrita há uma construção ou reconstrução disto que chamam realidade? Ou da escrita? E a Bahia nisto?

Maria Guimarães Sampaio – Provavelmente, mesmo quando meus personagens vivem no Golfo… Estão mesmo é na Bahia. Mania de grandeza? Por ser golfo maior do que baía?

Ouvi um cara na TV dizer que artista é o esquizofrênico que deu certo. Eu diria que é o esquizofrênico que deu errado – ou seja, a doença não alcançou o indivíduo que teve a capacidade de transformar em arte toda aquela outra existência criada dentro de si em vez de sucumbir aos delírios e outras deformações mentais provocadas pela doença.

Vinda da experiência na fotografia – onde posso criar em cima da realidade sempre presente (não manipulo fotografia com fotochóps da vida), na literatura creio que tudo é tudo e nada é nada. Um amálgama tão amalgamado entre ficção e realidade…

Também já li de alguém a considerar que o escritor está sempre a escrever o mesmo livro de formas diferentes. É por aí, eu creio. Quer se queira quer não se queira a experiência vivida pelo escritor estará de alguma forma presente em sua obra e aí vem o melhor: quando você solta seu livro (ou sua fotografia) já não lhe pertence. Será de quem o lê, será de quem a vê munido dentro de si de seu próprio repertório de conhecimentos ou de experiência de vida vivida.

Na minha escrevinhação, “Adalgisa mandou dizer, que a Bahia tá viva ainda lá”

4) Algo mais geral: Escrever é criação ou artesanato?

Maria Guimarães Sampaio – Em mim: primeiro o fogo da criação. Escrevo seguidamente, acordo de madrugada. Mando ver no toró, tororó. Depois o burilamento. Não chamaria de artesanato, seria mais uma lapidação. E para tal não marco tempo, hora, nada. Posso levar anos burilando um livro. No entremeio posso criar outro. No momento tenho um dormindo (também tem esta fase no intermédio da lapidação) e um com a ideia central estabelecida, querendo sair do toró para entrar no lapidário.

5) Enfim: O que é este seu livro? O que espera ou não há mais esperança?

Maria Guimarães Sampaio – Quanto à esperança diz o dito popular ser a última que morre. A minha esperança não morrerá porque morrerei levando a esperança de ser lembrada por vocês que gostaram de mim em vida. Irei com a esperança de que meu trabalho sobreviva.

(Perguntas enviadas pela p55)

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