Outras cartas

Vestígios da Senhorita B. – Renata Belmonte

Renata

Sobre o livro escreveu Aeronauta:


Uma carta, nesse domingo


Oi, Renata, terminei de ler seu livro. Ele me levou para dentro de mim mesma, na minha cama que foi abandonada; no vestido que o tempo não destruiu e que continua num cabide imaginário; na ausência de um pai presente; na dureza de nunca ter sido escolhida no baleado (era sempre minha irmã quem escolhia o time, juntamente com outra “forte”); na certeza de ter uma irmã cheia de poder e uma mãe com posionamentos ambíguos de afeto.
Creio ser uma postura corajosa, essa de o escritor optar por confissões em algo que é batizado de ficção. Ou, por ficção onde a tessitura é a confissão. Afinal as duas coisas são uma só: vida. E a vida é essa coisa nossa que não é, propriedade falsa, que deixa como vestígios as dores no nosso corpo – “objeto” tristemente perecível.
Desde pequena convivo com o sentimento de culpa. E aquela menina, banida do meio dos adultos e das crianças, existe em mim também. “Nosso primeiro passado nunca cicatriza” (p. 13): eis a sentença. Tenho uma maldade dentro de mim que foi definitivamente abortada; pena que não tive o poder de desejar que minha coleguinha malvada fosse queimada e isso acontecesse.
“Terrível e longa é a espera pela legitimação do amor” (p.16), frases assim anunciam, no seu livro, resultados de buscas. Se a senhorita R. sofreu pelos seus “cabelos lisos e bonitos” (p.19), essa leitora aqui sofreu por ter cabelos crespos e trançados. Oh, é tudo o mesmo destino: o sofrimento, o castigo. E estamos sempre em busca de justiça; talvez tenha sido esse um dos motivos do livro: a autora/narradora quer fazer justiça, buscar a outra que fugiu, desapareceu, ter um acerto de contas consigo e com os outros que construíram a personagem, as personagens.
À pergunta, inscrita na página 27: “Pode alguém que já leu Dostoievski e Machado de Assis ainda se espantar tanto com o relevo acidentado da alma humana?” A minha resposta é positiva. “Para que serve a literatura, então?”(p.27) Oh, para saber que o amor real é uma ‘violência cotidiana imprescindível'(p.28). Soube disso nesse domingo, ao abrir e fechar seu livro.
Gostei demais da técnica de repetição utilizada, das imagens, da diagramação, da prosa poética; da vertiginosa forma de se confessar em forma de ficção; de fazer ficção com a confissão. E de, principalmente, mostrar ao leitor suas outras faces, perdidas num mundo pleno de vestígios.
Parabéns.
Um grande abraço,

Aeronauta.

As receitas de Mme Castro – Aninha Franco

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Ananke – Marcos Dias

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Ao longo da linha amarela – João Filho

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3 vestidos e meu corpo nu – Marcus Vinícius

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