Nilson Galvão

Tinha que ser desse jeito: o livro ‘no papel’ sai depois de dois anos e meio com o blog no ar, encontrando leitores por esse mundão da blogosfera e tendo a felicidade de integrar um círculo fantástico de “e-amigos”, como costumamos chamar as pessoas dos blogs que se freqüentam, se admiram e vão acompanhando no dia-a-dia os textos produzidos por cada um nesse livro de páginas infinitas, como bem define o neoblogueiro José Saramago.

É preciso deixar bem claro: lançar um livro é bom demais, um sentimento de realização que certamente toma conta de todo escritor estreante. No meu caso, o livro é a materialização dessa experiência mágica, o blog, onde a minha proposta, desde o começo, é publicar os poemas direto na internet, à medida que são feitos.

Na verdade escrevo poesia desde sempre, antes até de pensar em fazer Jornalismo. O pessoal daquela época talvez se lembre dos cadernos ensebados, cheios de poemas, que eram mostrados aos amigos ali mesmo, nos intervalos das aulas no Colégio 2 de Julho e depois na Facom/Ufba. Pena que aquela produção foi solenemente, dramaticamente queimada, um dia por volta dos 20 anos, no quintal da casa dos meus pais. Tinha concluído que não ia ser poeta, escritor ou coisa parecida. Só jornalista.

Mas a necessidade se impôs, como diria Rilke, e aos poucos os poemas iam se insinuando nos cadernos de trabalho. A diferença é que passou a ser algo meio às escondidas, ‘de gaveta’, mostrado às vezes pra minha mulher, Emília, e só. Paradoxal é que a clandestinidade foi rompida desse jeito radical, direto no blog, e o que era tipo ‘poesia bissexta’, de caju em caju, ganhou velocidade e voltou a alçar vôo com o combustível da web 2.0. Engraçada foi a reação das pessoas próximas, amigos de anos a fio que nem sabiam dessa história de poesia. Pois, pois: peguei todo mundo no contrapé! Rapaz!!!

A sensação de voltar a ser lido, a interação, tudo foi decisivo pra resgatar aquela produtividade dos velhos tempos: já são mais de 150 poemas desde janeiro de 2007, e parte deles está no livro. Feliz e grato a todos os “e-amigos”, blogueiros ou não. Em especial a Maria Sampaio, madrinha nessa empreitada editorial, e à P55 de Claudius Portugal, que desenha uma nova fase em nossa vida literária com essas Cartas Bahianas.

Ah, e antes que me esqueça: nasci em Caetité, cresci em Brumado, tenho feito de tudo um pouco no jornalismo, com passagens pelo Correio da Bahia, Jornal da Bahia, Bahia Hoje, Tribuna e ‘férias’ e outros ‘freelas’ para A Tarde, além de muita assessoria de imprensa, para empresas e na Agecom – Assessoria Geral de Comunicação do Governo do Estado. Hoje sou também gestor governamental do Estado.

Pra concluir, sendo meio supersticioso, acho que tinha que ser exatamente assim: do pixel para o papel.

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15 Respostas para “Nilson Galvão

  1. Estava na hora do registro público em papel!

  2. Não me surpreende, vi logo que ia resultar em livro. Não podia ser diferente. Você é poeta. Nós, que acompanhamos, somos privilegiados.

  3. Ser poeta é ser todo olhar sorriso gestos e gente é ser troca é ser vida é servir é viver é gostar do fazer é sentir é ser tudo.
    Parabéns mermão ! Bjos nas crianças e abraço na patroa. Estararei lá, com fé em Jah !
    abrçs,
    ac

  4. Shirley Pinheiro

    Tenho um carinho muito especial por Nilson. Foi uma surpresa e tanto descobrir sua veia poética e já estou ansiosa p/ levar o livro p/ cama.

  5. Yanara Setenta

    Nilson
    Apenas é o início do papel impresso para que o publico te leia. Apenas o primeiro… aproveito para parabenizar a Maria Sampaio por ter te colocado impresso.

  6. Você é uma figura rara, viu Nilson? Adorei este texto.

  7. Que danado! Já tinha me surpreendido com as poesias de Nilson que tinha lido aqui no blog. Não sabia que ele era poeta. E que poeta!
    PS: Será que os amigos d’além mar vão poder comprar o livro via Internet??!

  8. Pra ilustrar a “intimidade” de Nilson com os livros, lá vai um trechinho de sua biografia que talvez os amigos não saibam.
    Pedro Galvão, pai dele, é quem tocava a Livraria e Papelaria Galvão, conhecidíssima em Brumado. João Helder(Joãozinho) e Nilson, irmãos, ambos com menos de 10 anos de idade, iam praticamente todos os dias para a livraria e acontecia assim: Joãozinho logo assumia o balcão para “ajudar a vender”; Nilson, pegava um livro, sentava no chão, num cantinho reservado (provavelmente pra não ser incomodado) e… tome leitura. Muito provavelmente, boa parte do estoque deve ter sido devorada. Se os livros eram didáticos ou paradidáticos? Não sei. Eram livros, os bons, íntimos e velhos amigos. Parece-me que para ele era tudo o que importava.

  9. Luciana Ramos

    Como é que faz para uma prima um tanto quanto distante obter um exemplar e orgulhosamente colocar na estante do lado dos seus livros preferidos? Parti logo para o drama, pra ver se surte mais efeito. Fora que o velho Tio Geraldo vai ficar todo prosa, você sabe. Mas ainda dá tempo de aparecer para o famoso dia não é mesmo? Beijos!

  10. Antonio Manteiga

    O poeta tem o privilégio da mutação de visão do mundo. Só depende do seu estado de espírito!

  11. debora anunciação vieira

    Tenho um carinho muito grande por Nilson, nos conhecmos faz algum tempo, mas fiquei surpresa em vê-lo poeta, sempre soube que era um grande jornalista, mas poeta, foi uma surpresa maravilhosa! Estou ansiosa para ler este livro.
    Sorte e muito sucesso…
    beijos

  12. do pixel para o papel! um abraço, sucesso.

  13. Não o conhecia. Me falaram de vc num ponto de ônibus, ônibus que não vinha. Ficamos sozinhos: eu e uma encantadora mulher, preocupada com a demora e a insegurança do deserto lugar, no Centro Administrativo. Nome, onde trabalha, profissão, jornalista. Ah! tenho um amigo jornalista, Nilson Pedro, maravilhoso, grande poeta, acabou de publicar um livro de poesias e tem um blog com sua esposa, escritora de contos. Você precisa conhecê-lo. Valeu a pena. Parabéns.

  14. jorge ribeiro

    Parabens Nilson
    “Caixa Preta” é lindo!!!!!! Indiquei-o para DENISE MAGALHÃES, (http://www.vertigensclandestinas.blogspot.com/) poetisa maravilhosa predestinada a conhecê-lo.
    Abraços!!!!!!!

  15. giovah galvão

    Quem bom, parabéns, fique feliz em descobrir que é poeta.

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