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Versão de Janaína

Quarta-feria, 2 de setembro de 2009

Foi maravilha

Amigos: já de volta a Maceiócio, quero dizer que foi bom demais ter comparecido, em Salvador, ao lançamento de Continhos para cão dormir, de Maria Guimarães Sampaio, e Caixa Preta, de Nilson Galvão, da P55 Edições, ambos pela coleção “Cartas Bahianas“, que apresenta livros pequenos, em formato de lindos envelopes, com conteúdos variados e textos de bom nível, alguns bastante inovadores.
Eu gostei do alto astral do lançamento, da alegria que reinou por lá, do mundão de gente que apareceu, da solidariedade que se sentia — quase se pegava —, de todos estarem alegres com o sucesso do acontecimento, rindo a toda hora, uns pros outros. Gostei de abraçar muitos amigos e vários e-amigos (ou é-amigos, como dizemos no Nordeste), com quem tantas vezes troquei textos, impressões, sentimentos, e agora sei também como cheiram, se são sorridentes ou mais sérios, zen ou aflitos, como são os desenhos de suas sobrancelhas, seus projetos de vida, suas famílias, nesse acerto entre imaginação e realidade, jogo que abre caminho para novas imaginações, novas perguntas … Achei Nilson mais descontraído do que imaginava, Menina da Ilha igualzinha à ótima ideia que eu fazia dela, aeronauta achei duas, a fortaleza do rosto sertanejo junto à delicadeza do corpo miúdo, e fiquei com pena de ela não ficar pra nossa pizza no final (é, lá também terminou em pizza), Bernardo eu adorei abraçar, Marcus também, Ivonete eu sentia como se já conhecesse, achei falta de Martha, e de abraço em abraço emocionado fui fortalecendo amizades, Maria feito menina, até fita no cabelo no final ela amarrou. Tantas imagens ainda nos meus olhos, Kátia Borges, Vera, Soraya, Ju, o bilhetinho de Renata … alegria. Sei mais um pouco deles, eles sabem um pouco mais de mim, e seguimos esse caminho de descobertas, encontros, surpresas: criações.

Sem fim

Quando formos ao rio de Heráclito,
vamos perguntar pelo que pode ser.
O que pode ser meu caro Heráclito,
O que pode ser, rio de mim.

Como pode uma tarde de sábado,
ou um rio de janeiro sem fim,
ou as águas de março no âmago
desse rio vermelho carmim.
(Nilson Galvão, Caixa Preta)

“Maria de Lourdes encosta vassoura no portal: Dona Norma, vou ali oiá a batucada. Roupa lascada. Pés estropiados. Boca bem beijada. Quarta-feira-de-cinzas dona Norma readmitiu Maria de Lourdes. Em novembro batizou Lurdinha.”
(Maria Guimarães Sampaio, Continhos para cão dormir I)

[Sem fotos, pois a anta aqui se esqueceu da máquina. A imagem escolhida transmite o ambiente que senti]
Postado por Janaina Amado às 17:39
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