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Caixa preta

Coração, caixa de guardar
o que em seu couro
repercute. Caixa do peito,
invólucro do tempo, ouve
o relojoeiro maluco, que nada,
que tudo, que nada, que tudo,
que nada, que tudo.
Caixa de abrir-se diante da ciência
e negar-lhe a verdade, se o gato
morreu, se viveu, se morreu, se viveu,
se morreu, se viveu. Coração caixa oca,
bumbo da crueza, bumbo da beleza,
bumbo da incerteza.

                                                                     Nilson Galvão

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